Lembro-me de uma canção popular de muito sucesso nos anos 60 denominada DISPARADA, autoria de Geraldo Vandré, que foi premiada no extinto festival de música promovido pela Rede Record (lembre-se…década de 1960!!!!). Nessa canção tem um trecho que sempre me chamou a atenção que diz:

Então não pude seguir
Valente em lugar tenente
E dono de gado e gente
Porque gado a gente marca
Tange, ferra, engorda e mata
Mas com gente é diferente…

Fiquei pensando nessa frase e a tenho citado em algumas aulas ou palestras quando eu falo sobre o tema LIDERANÇA. Quantas vezes ouvimos aqui ou ali sobre como as pessoas têm sido tratadas nas organizações pelos CHEFES. Por vezes, os relatos me fazem relembrar a frase e me questionar: … MAS COM GENTE NÃO É DIFERENTE?!

Pensar as organizações complexas da atualidade e do futuro, sem falar de pessoas é impossível. Lidar com gente é muito complicado, como já sabemos, e a capacidade de liderança está em se saber tratar os indivíduos que compõem a organização, buscando em cada um suas características fundamentais, equacionando-as no contexto global, para a melhoria daquilo que se busca freneticamente,  o tal de  RESULTADO. Mas, como a própria palavra diz RESULTADO é algo que simplesmente RESULTA de alguma ação. Portanto, para ser plenamente atingido, ou até melhorado, tem-se que considerar o processo empregado e quem o executou: AS PESSOAS. (nada mais óbvio, dirão, mas…)

Nesse fogo cruzado entre entregar resultados ou liderar pessoas, vêm se debatendo as principais teorias de liderança, definindo alguns estilos que funcionam mais em algumas situações e não em outras. Mas, seria somente isso? Fórmula? Receita pronta? Parece-me lógico, e a você também parecerá, que a resposta é NÃO!

De muito pouco adianta o conhecimento de técnicas ou estilos de liderança se não houver a verdadeira disposição de tratar as pessoas como GENTE. Valorizar os seres humanos que estão no mesmo barco e que, de alguma forma, contribuem para esse barco chegar a algum lugar, mesmo sem direção, ou seja, mesmo quando há ausência de liderança. Já passou o tempo em que ser gestor de pessoas era definir metas e cobrar sua realização no prazo e na qualidade esperada. Essa atitude degringolou para muitos comportamentos de autoritarismo excessivo e tratamentos indignos, colocando as pessoas envolvidas em situações de total estresse e desmotivação. Os índices de absenteísmo e afastamento por problemas de saúde são indicadores eficazes para se medir o grau de consideração, ou não, com que a empresa trata seus colaboradores. Também consideraremos aqui o turnover como um desses indicadores, pois, como li outro dia em algum lugar, as pessoas estão se demitindo da CHEFIA e não das organizações.

Espero que essa reflexão possa ter aguçado a sua curiosidade sobre o tema. Se isto ocorreu, entre em contato e continamos esta conversa…Se não, só tenho a dizer que COM GENTE É DIFERENTE!….

Obrigado

Fiz 57 anos de vida. No próximo mês de fevereiro de 2011 completarei 42 anos de trabalho. Em março de 2011, farei 34 anos de trabalho em Recursos Humanos.
São muitos números, sem dúvida! Porém, com certeza nada representam quando comparados com a beleza e a complexidade da experiência obtida ao longo deles (anos).
A estrada nem sempre foi fácil (não é para ninguém!) e nem sempre foi só de alegrias (idem idem). Mas, hoje, posso parar para refletir (e “sentir”) sobre como tudo valeu a pena!
Como diz minha querida mulher….”tem coisas que, para aprender, é preciso ter mais de 50″. Essa afirmativa é muito verdadeira, no meu caso…
Quero expressar este sentimento que me toca hoje, como um momento de reconhecimento e de estímulo ao contínuo aprendizado em relação ao real significado da vida.
Sempre relembrando o poeta Fernando, o Pessoa: ”Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena”. Creio que o grande objetivo aprendido, e apreendido, é que se deve agigantar a alma, através da experiência que se tem. Espero poder continuar esse crescimento, lembrando que nada é perfeito e que podemos sim errar, perder, esquecer, porém é fundamental sabermos corrigir, recuperar e reavivar lembranças.
Abraço a todos

 Inspirado na famosa frase do Velho Guerreiro: “Quem não se comunica se trumbica”, resolvi criar uma parecida.  Quem não fidebeca se trumbeca!

Já peço, de pronto, desculpas pela ousadia em relação ao vernáculo pátrio, criando uma forma meio estranha aos ouvidos do leitor  (fidebeca), porém  a intenção aqui foi a de fazer uma analogia com a famosa frase do Chacrinha, procurando chamar a atenção para essa importante ferramenta de desenvolvimento humano.

Discussões linguísticas à parte, a idéia principal desta minha análise é sobre a dificuldade de se ver  o tal feedback sendo praticado eficazmente nas organizações. Na hora de ACONTECER, principalmente nos momentos formais da avaliação do desempenho, parece que há uma crise generalizada de pânico que obriga a muitos voltarem às suas zonas de conforto, travestindo o pobre do feedback em  coisas como elogio, crítica, bronca, etc. E porque será que isso ocorre?

A primeira coisa que devemos considerar é a própria maneira como nos expressamos ao mencionarmos a palavra feedback. Dizemos, VOU DAR UM FEEDBACK para o fulano.  Ora, quem dá, dá alguma coisa a alguém, já dizia o meu velho professor de português e, se assim é, DAR FEEDBACK representa um ação só de IDA,  que nos leva, muitas das vezes, a uma situação em que UM FALA  e a OUTRA PARTE escuta ( sem questionar!). É preciso, portanto, entender que o processo de feedback é uma via de mão dupla, onde se pode falar, mas fundamentalmente, deve-se ESCUTAR. E escutar não é tão simples, pois precisamos lidar com todos os filtros subjetivos que possuímos (valores, crenças, edução, etc.), que a todo tempo interferem em nossa percepção, podendo nos levar a conclusões apressadas e nem sempre corretas.

Outro ponto a ser discutido é que a sessão de feedback não é nem uma contenda nem uma reunião de amigos, muito ao contrário. A concepção que fazemos do processo de feedback é de fundamental importância para o sucesso da empreitada. Encare esse momento como uma oportunidade onde você poderá dar e receber ”presentes”, pérolas que ajudarão no aprimoramento comportamental dos envolvidos (subordinado e líder). Se não reformatarmos a nossa VISÃO do processo de feedback recairemos sempre no mesmo velho padrão do eu falo você escuta, que já se mostrou totalmente inadequado e ineficaz. 

A disposição genuína de apoio às pessoas em seu processo de crescimento é outro aspecto importante e que representa muito mais do que a aplicação de qualquer técnica de feedback eficaz que você possa ter acesso. Se não existir essa disposição (disponibilidade para fazer, ou seja, querer fazer), de nada adiantarão as técnicas, por melhor que sejam. Então, como uma dica, busque desenvolver o real desejo de praticar o feedback em seu dia a dia, criando a condição psicológica necessária para que ele efetivamente ocorra. Para tanto, você deverá fazer uma revisão do quanto você realmente valoriza as pessoas que estão ao seu lado ao invés de processos, procedimentos, sistemas, ferramentas e até os próprios resultados. Sim, como a palavra indica eles são somente RESULTADOS e não CAUSA, o que reforça a máxima, muito citada, de que são as PESSOAS que fazem as coisas acontecerem. Portanto, não corra somente atrás de resultados, mas sim concentre-se nas pessoas e busque reforçar seus pontos fortes e ajudá-las  em suas necessidades de desenvolvimento, o que é possível através da utilização correta do feedback. Se você não dispuser de tempo para isso, então talvez você não tenha interesse em ocupar uma posição de liderança. Não é possível conceber um gestor dizer que não tem tempo para a prática do feedback, da mesma forma quanto ouvir de um cirurgião que ele não tem tempo para fazer cirurgias. Isso é meio louco, não é mesmo?!

Acrescento abaixo algumas recomendações para as principais argumentações que encontramos no dia a dia das organizações, para a não prática do feedback:

- Não sei como dar um feedback eficaz - A solução aqui, desde que a condição básica de desejo da prática do processo de feedback já exista, é a mais fácil de todas, indicando-se sessões de treinamento ou cursos sobre o assunto. Aqui seria apenas uma questão de adquirir o domínio da técnica do feedback eficaz.

 - A empresa não tem um processo formal de Avaliação de Desempenho - Feedback independe de processos de avaliação do desempenho. A avaliação formal, que normalmente ocorre uma vez por ano nas empresas, não deve ser o único momento para o feedback. Este deve ser oportuno, e portanto, o mais próximo possível do fato que gerou a necessidade de sua ocorrência. As avaliações formais deveriam ser simplesmente um resumo de tudo o que se falou ao longo do ano, servindo como um registro que consubstancia ações tanto de recompensa como de desenvolvimento, nada mais que isso.

- As pessoas, normalmente, não levam a sério as sessões de feedback. Tornam-se apenas rituais formalísticos dentro da cultura organizacional – Parte da responsabilidade disso acontecer está na falta de disponibilidade interna dos líderes para praticarem o feedback eficaz, e a outra parte está na complexidade exagerada dos processos de gestão do desempenho, bem como na falta de crítica e consistência das ações de treinamento.  Treina-se de tudo (inclusive os modismos), criam-se técnicas complexas teatralmente aplicadas, levando ao automatismo e à superficialidade. Feedback é, como dito acima, desejo genuíno pelo desenvolvimento do ser humano. Se este ingrediente estiver presente, grande parte do tédio e do desinteresse estará resolvida.

- Não tenho muito tempo para dar feedback, afinal tenho que gerar os resultados no fim do mês.  – Como já citado anteriormente, há aqui a necessidade de revisão de valores, dando-se importância ao que realmente importa: Gente. Já é tempo de extirparmos das nossas organizações a idéia de que o feedback é algo de menor importância, entendiante, formal e que só serve para o recursos humanos processar aumentos salariais. Para isso acontecer é preciso sensibilizar os gestores de forma constante para modificarem sua visão sobre o feedback e dar-lhes total apoio para ajudá-los em seus medos, anseios e dificuldades naturais do processo.

Se você gostou deste artigo, envie-o para o maior número de pessoas de sua rede e não se esqueça de acrescentar seus comentários. 

Obrigado

Tenho certeza de que o título acima não é nada novo, e que, também, já foi extremamente debatido, escrito, falado, ouvido, treinado, e outros tantos verbos que possamos lembrar. E a questão que fica é: E aí, tudo resolvido? Não, é claro que não. Não há como transformar alguém em líder, como que por um passe de mágica, apenas indicando o indivíduo para ações isoladas como treinamentos, leituras, etc.

Ser líder exige uma sensibilidade para entender os seres humanos que estão sob seu comando e agir, por consequência, conforme as necessidades individuais dos mesmos. Mas essa sensibilidade é algo que já vem com o indivíduo líder ou é algo que se pode desenvolver? Essa tradicional dúvida sobre liderança, feita com muita frequência, não tem fundamento, pois o ser humano é DESENVOLVÍVEL sempre. Basta querer. Sem a vontade (anuência espontânea) do mesmo, não há curso que resista, por melhor que seja.

Existe um montão de gente por aí se dizendo líder e que simplesmente NÃO TEM TEMPO para ouvir o seu(sua) subordinado(a), ou pior, não tem tempo para informá-lo(a) sobre o desempenho demonstrado e como este poderá melhorar. Essa questão é para mim fundamental!

Tudo que faço na vida faço por uma escolha (decisão), que representará aquilo que é mais importante (valor). Se eu NÃO TENHO TEMPO para falar com a minha equipe, isso quer dizer que o meu tempo, como gestor, estará dirigido a outras coisas mais importantes: produzir resultados geralmente de curto prazo. Não raras vezes, encontramos o “líder” (entre aspas por ironia mesmo!) fazendo o trabalho que sua equipe deveria fazer, deixando-o totalmente atolado. Se eu VALORIZO o fazer, certamente ficará muito difícil eu deixar de FAZER as coisas para simplesmente passar a liderar pessoas. É espantoso, mas as maioria dos gerentes, diretores, supervisores, ou seja lá o nível em que estes se encontrem, não gastam mais do que 2 a 3 horas num mês para liderar. O resto do tempo estão correndo no dia a dia, para FAZER as coisas acontecerem.

Ram Charam, juntamente com Steve Drodder e Jim Noel, em seu livro The Leadership Pipeline – How to Build the Leadership Powered Company, aborda esse tema de forma bem interessante. Quando alguém ascende a níveis superiores na estrutura das organizações, deve fazer uma mudança de padrões mentais (mindset), através da revisão de sua escala de importâcia. Eles até sugerem a criação de um “rito de passagem” onde o novo gestor possa parar e pensar sobre o que realmente valoriza em seu trabalho e o que ele tem que passar a valorizar dalí para frente.

Fazer avalições de desempenho, por exemplo, tem de ser incluído logo nos primeiros níveis de supervisão. Até esse momento, o indíviduo era um contribuidor individual, agia sozinho, fazia as coisas. Doravante, ele agregará outras atividades ao seu dia a dia. Daí a importância de se preparar o indivíduo para essa mudança que ele vai enfrentar, e VALORIZAR, por exemplo, que AVALIAR O DESEMPENHO DA EQUIPE é papel importantíssimo para a nova demanda que enfrenta. Caso contrário, vai cair no fosso comum encontrado em quase todas as organizações, onde os GESTORES NÃO TÊM TEMPO PARA PERDER COM ISSO…e lá se vai mais uma equipe desmotivada, descomprometida, pressionada, estressada, etc.

Espero que você reflita sobre isso. Se quiser fazer comentários, fique à vontade.

 

um forte abraço

Meus caros,

Muito se tem falado sobre a importância de se criar e manter a sinergia nas organizações, e desde muito se sabe também que esta não é uma tarefa nada fácil para os gestores no dia a dia.

O artigo abaixo, publicado no Valor On Line, trata exatamente desse tema e achei oportuno publicá-lo aqui, para que você, se não viu, possa ler seu interessante conteúdo.

Boa leitura.

 

 

http://www.valoronline.com.br/ValorImpresso/MateriaImpresso.aspx?tit=Empresas+falham+na+hora+de+criar+sinergia&codmateria=5418429&dtmateria=16+02+2009&codcategoria=292

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